Reaberto ontem (27), após uma reforma que durou um ano e 4 meses, e custou R$ 13,2 milhões, o Aeroporto Internacional Marechal Hugo da Cunha Machado, em São Luís, ainda apresenta problemas sérios: o lugar não tem praça de alimentação e restaurantes, nem foram reabertas as lojas que funcionavam antigamente. Hoje (28) continuavam desativados terminais bancários e serviços de internet, e a única lanchonete aberta – com estrutura bem precária – só oferecia dois tipos de salgados. O aeroporto também foi reinaugurado com partes do piso quebradas. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Guilherme Marques, visitou as novas instalações do aeroporto e afirmou que, mesmo após a reforma, o aeroporto ainda não está à altura da demanda de uma capital. Guilherme Marques destacou o improviso na reinauguração do aeroporto. Para ele, a ausência de restaurante e praça de alimentação, principalmente, impossibilita o bem-estar dos passageiros.
Já o diretor comercial da Infraero, Geraldo Neves, afirmou que os problemas são “normais” em reformas desse tipo, e que um restaurante com acesso a um mirante será construído, mas só no ano que vem.
Trabalhadores em andaimes ainda são vistos na área externa
A reportagem do Jornal Pequeno constatou que muitos serviços ainda estavam sendo finalizados no aeroporto. Trabalhadores em andaimes prosseguiam com serviços na estrutura do teto, que já deveriam estar finalizados.
Romeu de Freitas, de 46 anos, que é maranhense, mas estava de mudança para o Rio de Janeiro, se sentiu incomodado com o barulho provocado pela obra e também com a falta de conexão com a internet.
O funcionário público Edeniel Cunha, 39, que também esperava o voo para o Rio, comentou que não entendia onde haviam sido investidos os R$ 13,2 milhões despendidos na obra de reforma, já que havia notado que a estrutura do telhado era a mesma e que parte do piso estava danificada.
Piso quebrado na área reformada do aeroporto
Ele admitiu que, de fato, houve ampliação do espaço físico e o terminal de passageiros foi climatizado, porém avaliou que “muita coisa ainda deixa a desejar”.
“Não entendo o motivo de não terem trocado o piso, já que foi investido tanto dinheiro. Em vários locais podem ser notados os remendos, e em outros percebem-se as rachaduras e até pequenos buracos”, disse Edeniel.
A carioca Raquel Silva, 42, que voltava ao Rio depois de visitar a irmã em São Luís, afirmou que não conseguia entender por que inauguraram uma “obra inacabada”.
“A gente vê andaimes por todos os lados e funcionários da empresa contratada para executar os serviços ainda trabalhando. O barulho é irritante e ensurdecedor. Não há serviços bancários, nem de restaurantes ou de qualquer outra coisa que possa nos distrair. Pelo que notei, só há uma lanchonete, e dois quiosques no meio do aeroporto, sendo um de sorvete e outro de uma marca de óculos. Espero que esse transtorno acabe logo, afinal São Luís não pode completar 400 anos com a sua porta de entrada aberta só pela metade”, afirmou Raquel.
Terminais bancários do aeroporto estão desativados
Outro lado – A assessoria de Comunicação da Superintendência da Infraero em São Luís informou que qualquer questionamento da imprensa deveria ser encaminhado por e-mail para que fosse repassado à direção central da empresa, em Brasília.
Entenda a ‘novela’ do aeroporto
Em obras desde abril de 2011, o Aeroporto Internacional Marechal Hugo da Cunha Machado teve a área de embarque interditada em 19 de março do mesmo ano, após a constatação de rachaduras na cobertura do terminal. O prazo para conclusão das obras, previsto inicialmente para agosto de 2011, foi adiado quatro vezes, sendo cumprido apenas ontem (27).
Entre março e abril do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) fez vistorias nas tendas improvisadas que substituíram a área em obras do aeroporto, identificando problemas como falta de proteção contra as chuvas no setor de desembarque e acesso aos aviões; falta de acessibilidade para deficientes; espaços insuficientes para a demanda de passageiros; e falta de estrutura na administração e distribuição das bagagens.
Em maio deste ano, a Justiça Federal determinou à Infraero, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e à EP Engenharia, empresa responsável pela reforma, que as obras fossem concluídas até domingo (26), sob pena de pagamento de multa diária de R$ 60 mil.
Mesmo cumprindo esse último prazo dado pelo MPF, a EP Engenharia terá de pagar multas à Infraero pelos atrasos anteriores, por determinação da Justiça Federal.
Fonte: Jornal Pequeno











